Pra um dia, quem sabe…

Posted in Uncategorized on 29 de outubro de 2013 by 21veroes

Pra um dia, quem sabe...

Há muito tempo percebi que tenho um daqueles distúrbios de documentários do Discovery Channel, sabe? Algo relacionado a acumuladores. Pessoas que não conseguem jogar coisas fora. Se meu passado fosse um armazém, ele seria do tamanho de Júpiter, mais ou menos. Sei bem que o que passou é parte de mim e não uma prisão¹ e que nosso passado é quem molda nosso presente e que repito: o futuro não fugirá a regra, e que, de certa forma, não tenho um passado do qual fugir se for considerar tim-tim-por-tim-tim dos anos que se passaram, apesar de ter ciência que se minha bagagem fosse um pouco mais leve, com certeza eu conseguiria dar passos mais largos.

Nesse mês, pela quarta vez perdi todos meus arquivos do computador, no entanto, pela primeira vez, não fiquei puto da vida, ao menos, não o tempo inteiro, procurei me lembrar que só depois de perdermos tudo é que estamos livres para fazer qualquer coisa², então procurei me conter. Foram mais de 300 gigabytes perdidos, mas me senti um tanto aliviado em “perder” essas coisas, um peso a menos na consciência a cada “tenho que limpar meu desktop… mas hoje não”.

Quem leu ao menos meia dúzia de posts meus sabe que eu sou uma pessoa extremamente saudosista e nostálgica, porém, sem sentir de fato falta de dias passados. Contraditório, eu sei. Sinto falta de rodar as lojinhas de cds de Santo André procurando o álbum que tinha a Danger Drive do Hateen. Nunca encontrei o Dear Life, que só anos depois vim saber ser o EP o qual tinha essa música. Dentre as idas e vindas a essas lojinhas, esbarrei no Loved e levei, amor à primeira vista, por 23 reais.

Fico feliz ao lembrar de quem hoje converso no whatsapp ou no Facebook que lá nos meados de 2008 me mandava emoticons pelo MSN a cada conversa sem sentido, muitas vezes adotando o miguxês como língua oficial, coisa normal para aquela época e justificável pra quem tinha aquela idade e via o mundo de outra forma, e sim, isso é um elogio. Só fico triste em saber que desses amigos, pouquíssimos ainda mantenho contato. Você cresceu e tudo tá difícil demais. Pois não é diferente pra ninguém³. Inclusive, lembro até hoje de quem me mandou o convite pro Orkut, o vi esses dias e poxa vida, como envelhecemos hein!

Apesar de hoje ter acesso a zilhões de bandas novas, eu acho que nunca conheci tantas bandas como na época em que a fitinha K7 era aos poucos substituídas pelos CD queimados a muito custo em computadores mais lentos que a justiça de nosso país. Correr para pegar o último ônibus no terminal, num domingo a noite pra voltar pra casa sempre era um motivo justo, desde que fosse voltando de algum show no Catedral ou derivados, onde, diga-se de passagem, consegui muitíssimas amizades e perdi um terço delas que machucaram milhões de vezes mais do que as skatadas nas canelas finas em sábados de madrugada no estacionamento do finado Compre Bem. Não tinhamos manobras boas, mas pretensão de tê-las também nunca tivemos, então tudo bem, assim como a preocupação de um futuro rico e promissor, como a consequência de não o termos – pro nosso bem: ainda bem!

¹ Trecho da música Duna da banda Fullheart
² Trecho do filme Clube da Luta, de David Fincher
³ Trecho da música Não é Como um Sonho da banda Voiced

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Posted in Uncategorized on 15 de janeiro de 2013 by 21veroes

E digo forte e convicto que sim, que vai passar! E que o sol essa manhã atrasou e o problema é somente esse e que em questão de tempo (pouco, eu espero) isso vai deixar de existir, não, não o sol, a dor…

Posted in Uncategorized on 30 de abril de 2012 by 21veroes

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Não é segredo pra ninguém que a minha relação com a fotografia começou assim meio que do nada e sem pretensão nenhuma – estado esse que até hoje ela se mantém: com nada e nenhuma pretensão. Acho válido sempre colocar isso, porque além de ser a verdade é como eu vejo as coisas e como as faço por vontade egoisticamente própria, de verdade. Conheço muita gente que vem com uns “você tem que fotografar tal coisa / de tal jeito / tal hora” cheios de nheinheinheins querendo que eu faça coisas que pra mim não fazem sentido – e pior: não fazem o meu gosto. Não sou artista, curto muito fotografar, mas pra mim isso não é arte: é vontade, necessidade e bem estar. Tem gente que curte minhas fotos, e do fundo do coração fico feliz em saber disso, no entanto, isso não me torna um artista ou qualquer coisa do tipo, sabe?! Conheço muita gente que joga muito bem videogame, porém, não são chamados de artistas. Artista pra mim é aquele que se dá de corpo e alma pra determinada coisa. Artista pra mim tem fama, interpreta, finge e foge da imprensa. Eu não. Gosto de fotografar coisas que PRA MIM são interessantes, não me importo se tá sem foco, se o enquadramento tá ruim, se ficou tremido… o único “se” que me importa é o “se eu gostei”. Tem gente que curte tons pastéis, outros que não aproveitam uma foto sequer se elas não ficam certinhas na regra dos terços – mesmo que ninguém entenda o que isso significa –, outros crucificam quem usa flash e assim por diante, não critico, acho bacana, mas sei lá, tem gente que leva a sério demais as coisas e acaba transformando em obrigação o que antes era diversão, sabe?! Mesmo que vez ou outra tenhamos que engolir uns sapos aqui e ali por necessidade, status, ego ou dinheiro mesmo – como eu, que aceitei fotografar a semana de empreendedorismo da faculdade no ano passado em troca de dez das duzentas horas que eu preciso para minhas horas complementares –, mas acho que o principio básico deve ser seguido, mesmo para aqueles que têm a fotografia como profissão, não usá-la como diversão é quase um crime. Com a escrita também é assim, nunca banquei o poeta, o escritor ou qualquer coisa do tipo, meu primo de cinco anos que está aprendendo a escrever agora é tão escritor quanto eu, assim como é tão fotografa quanto eu aquela menina de onze anos que ganhou um Iphone dos pais e sobe fotos diárias para o Instagram. No entanto, faz-se saber que pra mim o que importa é o que realmente você é e não do que os outros te chamam.

Posted in Uncategorized on 27 de abril de 2012 by 21veroes

É noite de quinta e eu estou sentado no canto do lado esquerdo da sala, na penúltima cadeira, enquanto o professor o qual eu só sei o sobrenome exibe slides no data show sobre um assunto que pouco me interessa durante uma aula que eu tenho como meta descobrir o nome da matéria até o final do semestre. No escuro, em contraluz à tela do data show só dá pra ver o reflexo dos olhos abertos dos alunos, eu uso óculos, o que me permite vez ou outra dar uns cochilos quando não aguento fingir que estou prestando atenção. A garota que senta atrás de mim, na última cadeira, pelo que eu percebi está desde o começo da aula teclando algo em seu celular que emite um pequeno sonido a cada toque que ela da em alguma tecla, o que eu devo confessar que está me irritando, então faço o que eu posso: retiro o meu celular do bolso e faço o mesmo. Do Twitter pro MSN pro Instagram e novamente ao Twitter: nada – e pior: ninguém – de interessante, então volto a fingir que presto atenção naqueles slides cheio de frases minúsculas que meus óculos de quatro graus com a receita vencida há quase dois anos não me ajudam a ler. Então penso no meu serviço e nas faturas que me aguardam no chão da garagem em algum dia dessa semana quando eu chegar em casa me desfazendo das gravatas e dos botões do topo da camisa. Enquanto isso o professor ainda lá na frente pergunta para os alunos o quanto eles gastam por dia com besteiras e  esperando uma resposta ele chama meu nome e pergunta se eu já parei pra pensar nisso, então eu volto para o celular, abro a calculadora, digito: quinhentos e cinquenta e seis reais e três centavos dividido por vinte e dois dias úteis por mês igual a vinte e cinco reais e vinte e sete centavos por noite, dividido por quatro aulas, igual seis reais e trinta e um centavos. Respondo que gasto mais de seis reais por hora nas noites de segunda a sexta. Ele me pergunta se eu não posso cortar esse gasto. Eu digo que sim, que posso, mas que estou no sétimo semestre e termino no final do ano. Ele ri e volta à sua aula, enquanto eu volto a fingir que presto atenção.

Posted in Uncategorized on 17 de abril de 2012 by 21veroes

Assim como beber, de fato, eu nunca fumei, mas muito me lembra dos diálogos com fumantes essa vontade não tão insana a ponto de ser chamada de louca, mas poderia dizer quem sabe até atribuindo a ela certo grau de exagero ao usar a palavra enorme para descrever o tamanho dessa vontade que sinto de escrever algo quase todas as manhãs, assim como o fumante sente vontade de fumar logo quando acorda.

Bem sei que não aguento ser dependente de algo ou alguém, não que eu seja a rebeldia e ou a liberdade em pessoa, longe disso, mas essa coisa de vícios, de hábitos e de tenho-que-fazer-isso-senão-começo-a-me-coçar nunca foi uma coisa muito bem vinda pra mim. Então até mesmo com a escrita me sinto meio assim, a vontade vem, e como um fumante abstinente que troca um cigarro por um copo d’agua, eu troco a escrita pela fotografia, pelo cochilo no ônibus, pelo pensar-na-vida-alheia ou pela leitura, muito bem servido por meus amigos nesse ultimo, confesso orgulhoso. Mas admito que sinto falta daquelas minhas anotações em post-its e em rascunhos que volta e meia eu encontrava no final do expediente dentro de meus bolsos ao voltar pra casa depois de um dia de serviço, de verdade, acho que um dos principais motivos pelo qual eu tenho escrito tão pouco nos últimos oito meses é esse que eu acabei de citar.

Mesmo assim, feito uma fotografia, mesmo sem foco, sem luz e sem estabilidade que se sabe lá o porquê me agrada, me sinto até contente com minhas pequenas frases, enormes contos ou desabafos sem nexo que volta e meia preenchem blogs, fotologs e twitters meus e de terceiros, de verdade, mesmo que sem créditos, sem elogios e sem nada dessas formalidades todas. Reclamo muitas vezes disso, bem sei, mas assim como todas as formalidades do mundo, deixar de tê-las, em meu modo de ver as vezes também faz-se necessária.

Por conta disso talvez, eu deixei muitas vezes de tomar meu chá no conforto de um colchão que eu já chame de meu ou peguei um ônibus super demorado para desembarcar numa rua que eu nem sei ao certo se de certo é a rua certa para procurar o local do show, que na maioria das vezes eu o encontrei devido às pessoas que ficam na frente de onde vai rolar o evento enquanto eu, de câmera na mão, atravesso a frente do palco de um lado para o outro com certa vergonha, assim como uma lavadeira que deixa derrubar uma bandeja cheia de pratos sujos ao atravessar a praça de alimentação de um shopping, sendo seguida por olhos de reprovação de todos. Ócios do – futuro, quem sabe?! – ofício.

Posted in Uncategorized on 9 de abril de 2012 by 21veroes

Bocejo
Dilato as veias do Cérebro
Para que o sangue corra mais
Quem dera se com as ideias assim fossem
Cheguei mais cedo
Semana de provas
Hoje duas, amanhã mais duas
Hoje segunda, amanhã segunda de novo
E nada do Final de Semana
Assim mesmo,
Escrito com as iniciais maiúsculas
Feito nome e sobrenome
Como Fulano de Tal.
Eu deveria tirar os fones
Eu deveria abrir o caderno
Quem sabe ao menos ler o livro
Desligar o celular
Parar de pensar naquela música
Ou no que terei para o jantar
Quando chegar em casa as onze
E requentar qualquer coisa
Ou nada
Afinal, de qualquer forma
Esse vazio daqui de dentro
A comida não preencherá.
Respondo ao boa noite
Daquela menina
Que senta do outro lado da sala
A Evelyn.
Ou Natália, sei lá.
Abro o caderno
Finjo estar lendo
Pra quem sabe, não sei
Provar pra alguém que estou estudando
E assim feito Renato
Provar pra todo o mundo
Que eu não preciso
Provar nada pra ninguém.
Assim como essa história
De escrever assim dessa maneira, uma vez que eu já disse não saber, no entanto, continuando a me atentar a apertar o enter, mesmo que algumas vezes eu me perca e assim como agora
Eu esqueça
De apertar
Aquele
Botão
Ali
.

Mais e Menos isso

Posted in Uncategorized on 26 de março de 2012 by 21veroes

Mais e Menos isso

Dentre as pessoas que eu conheço, talvez a mais complicada seja essa que vos fala, mesmo. Às vezes eu quero mais, noutras, eu quero cada vez menos: Menos compromissos nos finais de semana, menos trabalhos da faculdade, menos Amor-terei-que-fazer-tal-coisa-antes-de-correr-pros-teus-braços, quero menos fotos pra tratar e te deixar esperando eu responder no MSN. E na maioria das vezes eu quero mais: te contar mais vezes os sonhos que eu tive assim que ainda meio desacordado te contar detalhes nada específicos sobre as coisas que eu vi enquanto estava de olhos fechados. Quero mais e mais e mais filmes, como sempre. Gostaria que ao menos uma vez na vida cada pessoa que eu conheço e quero bem soubesse o que é de fato querer bem a outro alguém, sim, uma vez só, para que das próximas vezes, eles corram atrás daquilo que anteriormente souberam que é bom e sincero, como naquela coisa ensinar a pescar ao invés de dar o peixe, sabe?! Quero mais risadas de nós mesmo quando cambalearmos no metrô de mãos dadas ou quando numa loja de bijuterias, pedirmos informação pra uma mulher com o uniforme do Habib’s, que sabe-se lá porque a gente pensou que trabalhasse lá. Quero mais explicações de como os cremes da Moroccanoil funcionam restaurando e hidratando e dando brilho e mais uma porção de coisas sobre eles que até agora eu só decorei que o creme da tampa laranja é melhor do que o da tampa marrom pro seu cabelo. Quero mais manhãs-quase-tarde andando no shopping procurando balas Wonka, ou pegar metrô se divertindo feito crianças com aquelas balas que explodem na boca. Quero menos cara fechada ao me ouvir dizer que eu vi aquela-menina-que-já-fez-parte-da-minha-vida, que pra mim hoje a única coisa que ela representa é a certeza de que é com você que eu vou estar pra sempre. Quero mais sábados com nossos beirutes, nossas pizzas, nossas esfirras e minha eterna promessa de que só por hoje eu vou pedir Guaraná Antártica ao invés de Coca-Cola. Quero menos followers bobões do seu tumblr falando coisas sem sentido nas suas asks, assim como quero menos fotos nossas em perfis fakes em todas as redes sociais que existem. Quero mais fotos reveladas e menos problemas com uploads feitos no site de revelação de foto da Saraiva. Quero menos cadarços desamarrados e mais pés descalços deixando marca no azulejo do seu quarto. Quero mais abraços e mais apelidos que só a gente sabe o significado. Quero mais desse egoísmo que pode não fazer bem, mas que também a ninguém faz mal. Quero mais beijos na testa, mais mimimis e coisas piegas que pr’agente faz sentido. E no meio desses mais e menos, eu quero menos eu-e-você e mais nós…