Uma vez eu li que a saudade só é saudade quando alguém deixa outrem ciente que o primeiro sente a falta do segundo, sabe? Sendo assim, venho aqui declarar e concretizar algo intangível assim – que ao tornar tangível, torço eu para que também se torne mortal – que as vezes deixa a gente meio bobo, nostálgico e sentido a falta daquilo ou daquele ou de ambos que lá pelas tantas da noite deixa a gente assim, meio com vontade de em silencio dizer uma porção de palavras e ficar até tarde acordando cedo para – escrever palavras que não se sabe se realmente existem, como a que virá agora – planejadamente sem querer, encontrar um meio de puxar conversa com alguém que se conhece há séculos, que de tão bem se lembrar como se conheceram, as vezes se enganam: as datas, as horas, os locais, os motivos. Tantas versões diferentes que se unificam em uma só, para depois bifurcar e dali gerar tantas outras, quem sabe. É que com o tempo, por mais que a memória seja boa, algumas coisas realmente se perdem, e não falo dos detalhes, detalhes que são detalhes de verdade nunca se deixam passar assim despercebidos, imagina, as coisas para serem passadas são aquelas grandes, que todo mundo vê e de tanto ver, passam. Detalhes não, nunca. Uma frase numa camisa, um msn num guardanapo, uma frase engraçada dita numa loja de cds, um show gratuito numa praça no centro da cidade, ou de repente, tudo isso junto. Não, isso não se pode deixar passar, de fato. São coisas “bobas” demais para se passar, coisas assim merecem mais que isso, então memória, por favor, colabore. É que eu sei, eu sei, tão poucas coisas ficam impressas na mente que a gente às vezes fica na duvida se realmente aconteceram e se realmente findaram da forma que a gente lembra. Como aquelas músicas que a gente não houve há um tempo e depois, ao ouvir novamente começa a confundir as palavras que terminam com a mesma silaba, mesmo não rimando. E a vida me parece meio assim também, a gente vai trocando uma coisa aqui, uma coisa ali e no final, sempre rima. Como numa musica, mesmo que seja fora do ritmo, meio que sem tom, sem melodia. Tem gente que não sabe cantar, outras não sabem viver. Não sei ainda a qual grupo pertenço. Na verdade, sei de poucas coisas, uma delas é que se a saudade fosse mortal, hoje, sem duvida eu a mataria. Com um abraço. Sem peso nem culpa.