A falta de algo que muito tenho cuidado me fez revirar tudo aquilo que eu classifico como meu. Foram horas revirando caixas, folheando livros, cadernos, espantando traças e teias de aranha que ficam se acumulando pelos cantos, como o Renato disse uma vez. Achei tanta coisa, muita coisa daquelas que eu jurava ter jogado fora. E tenho certeza que algumas delas eu joguei mesmo, mas elas voltaram, sempre voltam. Relacionamentos mal resolvidos sempre resultam no efeito bumerangue, sempre. Não importa a força que se poe no arremesso, ele sempre volta. Numa caixa de papelão entre cadernos avulsos de alguns anos anteriores eu achei umas folhas amareladas, da Tilibra, de quando eu ainda usava caneta de ponta fina. Escrito ali algumas coisas que eu escrevi numa das épocas mais tensas da minha vida. Tava tudo ali no papel, alguns meses de lixo, de quarto fechado, de tv desligada e de computador sem internet, sem fotos e sem monitor, para não correr o risco, em todo o caso de. Bom, daquilo. Li umas duas vezes e coloquei novamente em algum lugar da caixa que eu procurei esquecer onde foi, para que eu qualquer dia desses possa encontrar sem querer, por ai, quando tiver na verdade procurando algo que, bom, já nem lembro o que era. Numa procura, quando não se tem nada a encontrar, qualquer coisa achada serve…